A Extinção dos Meus Critérios de Pagação de Pau

Eu tava escovando os dentes e me olhando no espelho há cinco minutos atrás, quando me dei conta que eu deixei de pagar pau pra maioria das coisas que eu pagava até pouco tempo atrás. Acho que tava olhando pras minhas unhas e pro camisetão que eu tô usando e pensando em como a combinação das cores me deixava feliz, porque compunha uma palheta interessante.

Daí eu me dei conta que o jeito que eu vejo cores mudou muito de um tempo pra cá. É a segunda vez que eu penso nisso hoje: Mais cedo, antes de ir pra faculdade, olhei pras minhas roupas de verão – por causa desse calor absurdo que fez durante a tarde – e me dei conta que a maioria das coisas que eu usava até ano passado e retrasado era basicamente muito tosca. Não que as roupas fossem feias. Eu gosto das minhas roupas. Mas as combinações que eu fazia com elas era muito diferente das que eu faço hoje. Na verdade eu não acho que a maioria das pessoas que vê de fora nota a menor diferença. Mas pra mim é uma diferença enorme.

E enfim: toda essa história me fez pensar nas pessoas que eu achava interessantes naquela época. Tipo aqueles semi-conhecidos que a gente vê na rua ou na internet – como, imagino, eu sou pra maioria das pessoas que tá lendo isso. E não só semi-conhecidos, mas também aquelas coisas que a gente vê (não quero falar “tendência” e já expliquei minha ojeriza a essa palavra, mas é mais ou menos por aí) e às vezes entende e às vezes não entende e às vezes consegue e às vezes não consegue reproduzir.

E eu não pago mais pau pra nenhuma dessas pessoas. Eu vejo elas agora e eu não consigo evitar achar elas ridículas ou sentir pena. Não sei se era ingenuidade minha ou se eu só olhava com menos crítica e mais simpatia. Mas a questão é que no geral eu simplesmente vejo um monte de gente se esforçando ao máximo pra ser aceita, seja em qual for o meio, e tentando passar uma imagem que, na verdade, não é a sua. E, quando não é uma questão de aceitação, é outra muito parecida, que é tentar “chocar”.

Eu acho que nessas situações sempre tem um fator afastamento que é importante: é mais fácil algo que a gente não entende direito parecer interessante do que algo que a gente entende. Quanto menos crítica e mais sintética for a nossa análise sobre o mundo, mas fácil é gostar de qualquer coisa. E acho que é basicamente isso que eu quero dizer com “os meus critérios de pagação de pau”. Acho que é, até, um sinal de amadurecimento da minha parte ser menos deslumbrada com as coisas – nem que eu fosse lá tanto, mas ainda é menos – e entender melhor.

E, quanto às “tendências” que eu falei mais cedo, acho que ter morado nos Estados Unidos ajudou a entender melhor e, logo, achar menos interessante. Tem várias coisas que eu via há uns anos atrás, vi lá e vejo chegando no Brasil agora que, ao entender melhor a origem e a inserção dentro da cultura estadunidense passa a ser bem menos interessante. Tô tentando pensar em casos particulares pra exemplificar, mas tudo que me veio (e, pra confessar, não tô com muita vontade de aprofundar o assunto) foi um site que eu via com uns 16 anos e achava o máximo e os hipsters, sobre os quais pretendo escrever mais em outro momento.

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2 respostas para A Extinção dos Meus Critérios de Pagação de Pau

  1. bruna disse:

    ba, eu acho que tu mudou sim bastante o jeito que combina as roupas, compõe, etc, hahaha e de mais tempo pra cá mudou as roupas mesmo, acho bemmm perceptível (só pra comentar)

    acho que deve(ria) ser normal essa coisa de extinção dos critérios de pagar pau, porque né, em teoria tu cresce amadurece e se reproduz, RSS, cresce amadurece e muda tua visão, expande ela. daí tu começa a perceber que usar sei lá, o cu cravejado de tachas, não é tão legal/necessário, não altera em porra nenhuma teu dia a dia e as pessoas não vão passar automaticamente a achar que tu é mais bonita/IN/que seja. pelo menos eu não me sinto MAIS aceita quando uso algo dito tendência e ah, pra puta que pariu, tudo muda o tempo todo, nem dá tempo pra se acostumar.

    tá, cansei no meio do comentário, mas… bela reflexão

  2. Jane disse:

    Luiza, minha cara semi-conhecida,
    A primeira vez que te vi foi no flog e cheguei lá por causa dos teus belos cabelos azuis (acho que já falei isso aqui). Apesar de conhecer-te tão pouco, acreditas se eu disser que consegui ver mudança em ti?
    Não só pelos cabelos que não mais azuis evidentemente. Mas notei mudança e acredito que amadurecimento, sim.
    Eu acho que é próprio da adolescencia a questão da pagação de pau. E penso como vc que isso tem a ver com aceitação ou com a idéia de chocar o outro.
    Isso pq o adolescente está se descobrindo e quer se mostrar de alguma forma. Natural que pegue alguns exemplos (pague pau) e copie. O resultado as vezes é algo meio bizarro e longe de representar o que a pessoa realmente é.
    Aliás nesse caso, o que a pessoa realmente é… Pode estar bem representado pelas roupas e atitudes: Alguém que não sabe quem é e está tentando se encontrar.
    Depois a gente amadurece e isso passa! Graças a Deus!
    Eu tb já fui um ser assim, adolescente, que queria aparecer! Sem querer tirar os adolescentes.. Mas acho que de um modo geral, isso faz parte da vida da maioria dos jovens!
    Me preocupa quando isso não passa e a pessoa passa a vida, pagando pau, se inspirando nos outros para se vestir, para fazer suas coisas e acaba assim meio vazio e sem identidade.

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