O que se faz pra sofrer bullying hoje?

Eu sou adulta. Não tenho mais o direito de reclamar que é todo mundo pseudo-alternativo e que eu era antes disso e antes daquilo ou que o mundo tá perdido (porque esse é o menor dos problemas do mundo, e se ele tá perdido, certamente não é essa a causa). Mas fico pensando nos pré-adolescentes de agora. Pré-adolescentes porque eu acho que essa é a única fase da vida na qual se pode ser tão babaca. Até porque é aquela fase horrível na qual a gente não é mais criança. Além de ser feio, chato, ter espinhas e às vezes ser meio gordo.

Claro, não é todo mundo que passa exatamente por isso. Tem as pessoas que sempre são desenvoltas socialmente e ainda por cima bonitinhas. E essas são as que, pelo menos na minha época, eram as patricinhas do colégio.

Tem também as pessoas que eram “normais” nessa época (e por “normais” eu quero dizer que não eram nem extremamente populares nem metidas a alternativas), e que tiveram sua época de serem “patricinhas” ou “populares” mais pra adolescência e não na pré-adolescências. Agora, que fim levaram?

Elas são as que habitam os lugares que costumavam ser alternativos. Os caras são todos metidos a skatistas, ou a indies. As gurias usam ankle boots, scarf e trench coat (trecho livremente inspirado no último post da bruna) ou tão naquela história de ser bissexual e causar. Quando não os dois. Mas a questão é que todo mundo é muito hype.

E porra. Como a gente chegou a isso? Como que isso aconteceu? Será que o mundo sempre era assim (o “alternativo” adotado pelo mainstream), tirando nos anos 90/2000? Porque eu nunca vou esquecer das meninas usando suplex e os meninos usando bermuda, roupa de surf e aquelas calças largas.

Mas eu lembro, sim, de ter observado um pouco do processo de mudança e de assimilação. Eu lembro de discutir com o Pedro sobre uma propaganda do Iguatemi no qual o cara usava um allstar, e quão estranho e forçado aquilo ficava. Isso deve ter sido em 2004. Outro marco que eu acho que é válido é a matéria sobre emo no Fantástico. Eu lembro da reação das pessoas. Foi bem… chocante? E aquilo saiu em 2005. E nem era nada de muito subversivo. Tanto quanto um bando de abobado fazendo merda na Galeria do Rock pode ser.

Sobre o bullying, eu realmente acho que toda aquela babaquice de “ser diferente” tem certo valor, sim. Pra mim ela foi importante porque eu era absurdamente tímida e introvertida além de sempre ter sido muito mais alta do que as outras crianças da minha idade. – Claro, sempre tem mais questões, mas acho que essas eram as principais. – E não sei, eu acho que a babaquice foi, no meu caso, um jeito de tirar a atenção dos meus problemas ao simular outros. No caso: usar allstar, camiseta de banda e pintar o cabelo (É difícil acreditar que seja isso mesmo, mas eu lembro perfeitamente de como isso era grande coisa em 2003, nos meus 12 anos.) E eu lembro da atenção que eu recebia, que, na grande maioria, não era positiva. Mas acho que isso influenciou positivamente em como eu sou hoje.

E às vezes fico olhando o orkut das menininhas que estudam no colégio que eu estudei. Elas são absolutamente todas metidas a alternativas. As que não são, são os projetinhos de ankle boot e scarf, que não fica lá muito longe. E me pergunto: como que se faz pra sofrer bullying? Não bullying pelo bullying, mas essa busca de identidade que adolescentes têm e que influencia na formação de personalidade. E que, a meu ver, é muito ligada a qualquer tipo de “cena alternativa” que exista no momento.

E, pra fechar, só porque eu acho uma boa piada: na Argentina e também no Uruguai, essa coisa alternativa e indie começou antes. E é muito estranho, mas um fenômeno que nós observamos quando passamos o ano novo no Uruguai é que, enquanto as brasileiras tão virando “alternativas”, as argentinas e uruguaias tão virando o que as brasileiras eram antes: sandália de salto, cabelo comprido, decote. Eu não consigo me lembrar se quem fez a piada foi a Ana, o Bernardo ou o Brasil, mas era que, em 2012, as brasileiras e argentinas teriam invertido completamente e, só por isso, o mundo entraria em colapso e seria o fim dos tempos.

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4 respostas para O que se faz pra sofrer bullying hoje?

  1. bruna disse:

    eu tenho absoluto PAVOR dessas pessoas haha que resolveram aderir a isso ou aquilo e de um dia pro outro deletaram todas as fotos que tinham com boca de sino e cabelão, jogaram todo guarda roupa cafona fora e agora são hype. ta, na real tenho pavorzinho de hypes no geral, mas acho que por ter visto por tanto tempo criaturinhas odiáveis no colégio sendo “as limdas” que eu NUNCA ia ser, mesmo quando elas tinham 12 anos, agora dando uma de hihihiih não me importo com a sociedade soh quero eh ser bonita e estar na moda!11 one.. meu, DANJER, muito danjer.

    bleh. nem sei o que dizer, realmente fico muito irritada com isso.

    e bullying eu sofri por ser gorda, pq eu me vestia normal \o/ tão normal quanto uma criança na quarta série pode se vestir, né, sei lá, eu não era muito ligada na bolsa de sei lá quantos reais (que eu já te contei heuhe) e nas calças sei lá o quê, porque.. eu nunca fui muito ligada nisso, mas né. então eu acho que tu sofre mais por ser diferente do da maioria e por não fazer esforço pra se adaptar a ela, ser meio “travado”, tímido e ter dificuldade em revidar as coisas

    ta, to com preguiça de pensar mais. beijo

    • anatwix disse:

      olha, eu não sei como era quando eu era propensa a seguir modinhas porque enfim, eu ‘tava’ dentro do grupo que seguia modinhas. mas lembra como todos os guris, por amis de apartamento que fossem, usavam as calças lá embaixo da bunda se achando os skatistas? pelo menos, isso eles pararam… pararam né? achei bem tri teu blog (Y)

  2. ísis disse:

    tu vai ficar apavorada com porto alegre. vamos fugir pra padre chagas!

  3. ana termignoni disse:

    hoje em dia, no brasil, se faz isso aqui:

    ou: se é uma cópia pré-adolescente unaware da modinha new-rave ultrapassada de 2007 e se ouve umas bandas que são iguais às antigas bandas emo só que coloridas. as letras eu não sei direito o que falam.
    e cool agora é ser alternativo e ouvir killers. ééé

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