Psicologia humana e psicologia animal

Que nome ruim, né? Mas eu tava pensando em animais. Quando animais que sofreram abuso têm sequelas emocionais. Mas será que os que nunca tiveram nenhuma experiência traumática também têm alguma coisa? E com o ótimo termo “coisa” eu quero dizer algum (outro ótimo termo) problema psicológico.

Quer dizer, o que nos diferencia deles significativamente nessa área é que o nosso sistema de representação evoluiu mais. A gente criou a linguagem. Mas vai além disso. Se criou um som pra “água” e um pra “comida” e um pra “perigo”. Mas o “além” é o fato de termos criado os abstratos. “Beleza”. “Medo”. “Desejo”. “Patologia”. E a liberdade e possibilidade de comunicação que isso dá é absurda. E, mesmo a psicanálise sendo um modelo totalmente ultrapassado, eu acho que os pontos nos quais ela acerta são esses: toda essa elipse. Esse “querer dizer”. Essa história toda de representar uma coisa por outra e por outra e por outra ad infinitum não pode não ter efeito na nossa saúde mental. E assume-se que a mente humana evoluiu junto com a linguagem.

E evoluiu pra chegar nisso. Isso tudo que existe agora. Não me levem a mal, eu amo o mundo e as pessoas. Mas eu acho que tem coisas muito fucked up que vêm junto. Eu não conheço ninguém – ok que o meu universo de análise é um pouco limitado, considerando que eu acho que posso dizer que convivi o suficiente a ponto de ter um gostinho da psique de poucas pessoas, sendo todas de contextos no mínimo semelhantes – que eu possa dizer que é mentalmente saudável.

Todo mundo é tão cheio de patologias e distúrbios e manias e fobias. Parece ser intrínseco à nossa cultura. É uma insatisfação geral. Eu já ouvi – e acho que existe esse mito – que isso é só do mundo ocidental, que no resto do mundo a cultura é diferente e as pessoas também. Mas será? E, se sim, por que a nossa cultura é tão marcada de ansiedade e insatisfação?

E, será que isso é dependente da linguagem ou será que isso só é externado com a linguagem? Se nós tivéssemos condições de análise, será que descobriríamos que animais também são assim? Mesmo animais que nunca passaram por nenhuma situação de abuso poderiam, então, ser tão fucked up (e me desculpem a falta de termo melhor) quanto nós. Assim como tem pessoas que, mesmo sem nunca terem sofrido trauma nenhum, têm patologias psicológicas de qualquer jeito.

*Não gostei de como ficou o texto. Mas sei lá. Tô num quarto de hotel às 04:04 e sem sono. E esse cd sempre me deixa inquieta.

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3 respostas para Psicologia humana e psicologia animal

  1. bruna disse:

    acho que fucked up é o melhor termo pra designar “isso” hahah

    e eu acho que é externado com a linguagem, sim. não causado por ela. é que ultimamente (e digo ultimamente sei lá de quanto tempo pra cá) tem um processo de invidualização muito maior, uma coisa de enaltecer mais o eu e o olhar pra si, pelo menos com as pessoas que têm condições pra poder parar sentar e pensar sobre o próprio umbigo. e não acho que isso seja necessariamente ruim, só que as pessoas acabam percebendo um monte de merda que elas têm dentro e não conseguem mais se sentir satisfeitas com isso ou com aquilo. e tem toda aquela cobrança do seja feliz, “vença na vida”, seja bonito, seja inteligente, tenha amigos, tenha um carro, uma casa, goste da sua família por mais merda que ela seja e isso acaba gerando uma ansiedade muito grande, pra tu conseguir atingir tudo antes sei lá dos 30 e poder te considerar uma pessoa plena e completa, que fechou tudo aquilo que te deixaram em aberto o dia que tu nasceu. não sei se fez muito sentido ou se era exatamente isso que eu queria dizer, mas aaacho que é por aí.

    e sobre os animais eu realmente não sei nada heuhauehae. digo, eu tenho o benji e o nhoque, né. quando a gente pegou o benji (porque eu me sinto muito idiota dizendo que comprei uma das coisas que mais me faz feliz, e não acho que ele valha aquilo que eu paguei – vale MUITO mais, não dá pra mensurar em dinheiro) ele morava com a velha dentro do canil, em casa. e a gente desconfia que ele tenha sofrido algum tipo de abuso, porque ele é super quieto, não consegue “confiar” nas pessoas, não se aproxima de estranhos. ele demorou ANOS pra pedir colo e carinho pra gente, pra se acostumar. e o nhoque, que ficou lá por uns 3 meses antes da gente pegar e não morou com a dona do canil é muito DADO. digo, ele vai com qualquer um e não fica com medinho das coisas como o benji fica (por exemplo pular de alguma coisa mais alta). então não sei, acho que é preciso um trauma (por mais mínimo que seja, talvez imperceptível pra ti, algo que te marcou e tu bloqueou) pra gerar alguma patologia/que seja. tanto pra humanos quanto pra animais. masssssss só palpites.

    te amo, tô com saudades. volta pra philadelphia, ao menos. :s

  2. Pedro Moser disse:

    a questão que tu coloca sobre animais começa com problemas relacionados ao conceito de mente, depois com o conceito de patologia, tudo isso com problemas no conceito de evolução e linguagem. temos que conversar uma hora dessas, porque eu tenho preguiça de escrever a respeito e tenho bastante coisa pra te falar 😛

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