Não-post II

São 03:43 e minha cabeça não para. Eu queria dormir, mas também queria editar fotos e também queria acabar as milhões de coisas que mesmo eu tendo tempo extra se acumulam. Também queria entender por que eu sou assim.

Porque eu tenho sempre que perdoar quem me fez mal? Independente de ser um mal consciente ou um mal por mero descuido. Eu acho que em geral eu costumo ser bem empática e em geral calculo bem as situações pra não machucar ninguém, mas acabo nunca pedindo o mesmo em troca. Às vezes eu me sinto a guriazinha do Dogville. Eu fico desculpando as pessoas e vendo tudo pelas circunstâncias. Queria achar que ninguém presta. Ou achar que todo mundo tem culpa de tudo. Porque são coisas que eu não consigo fazer, e que, se eu conseguisse, provavelmente não teria problemas idiotas como os que eu às vezes tenho. Na real eu queria que meu papai mafioso viesse me dar uma arma e me encorajasse a matar todo mundo da cidadezinha. Mas daí eu não quero mais.

Acho que essa minha postura tem  um pouco a ver com uma coisa narcísica que eu tenho. Algo do tipo “se ele não fez por mal e nós somos amigos hoje, ele nunca quis fazer isso, porque eu sou uma pessoa legal e todo mundo me quer bem”. E isso não é só com relacionamentos mais sérios. Eu não sei brigar com as pessoas a longo prazo. Não sei deixar que elas tenham uma imagem ruim de mim. Eu tenho um único ex-namorado que eu tenho certeza que não gosta de mim e que eu realmente fiz questão de mandar por espaço. Tirando ele, não consigo lembrar de ninguém, em toda a minha vida, que eu tenha deixado ir embora sem depois ter ido, como quem não quer nada, resolver as coisas ou fingir que nada aconteceu. Porque afinal, o tempo passa e eu esqueço o que aconteceu e redimo a pessoa da culpa. Alguém  me dá um tiro?

E sei lá, também fiquei pensando se escrevia isso ou não aqui.
–”Não vou, vai perder o padrão que tinha antes.”
–”Mas o blog é meu e eu escrevo o que eu quiser nele.”
E nenhuma das duas vozes internas é bem verdade. Eu comecei o blog escrevendo uma coisa totalmente pessoal e nada a ver com os posts que vieram depois. E depois, eu não sei externalizar sem me preocupar. Por isso eu nunca consegui escrever letras pra nenhuma das bandas que eu tive. Até quando eu tinha um diário, eu acho que escrevia um pouco calculando o que eu ia dizer em função de quem tinha mais probabilidade de encontrar aquilo algum dia. E mesmo aqui e agora. Eu, baita marmanja. Não consigo me desgrudar totalmente desse interlocutor invisível e intangível que se cria quando se posta o material na internet.

Mas sei lá. Divaguei. Melhor que não postar nada. Eu acho. E me sinto um pouco mais leve. Quem sabe agora eu durmo.

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8 respostas para Não-post II

  1. Júlia disse:

    Essa coisa de ser a Jane Bennet também sempre fodeu a minha vida. Até hoje! Mas só depois de um ano postando em blog, e no mesmo blog, consecutivamente, eu comecei a pensar o seguinte:
    “Se tem um interlocutor freqüente, e as estatísticas dizem que tem, ele freqüenta por algum motivo.”
    “Mas Júlia, tu também lê um monte de blogs que odeia.”
    “Mas a minha idéia não é que leiam pra me amar. Aliás, não é nem que leiam, né? É escrever.”
    “Trouxa.” (HAHAHAHAHA)
    Às vezes eu releio posts meus lá do começo e vejo como eu estava querendo dizer coisas que não tinha coragem de dizer, e que hoje digo com alguma facilidade, não tão fácil, mas pelo menos mais simples.
    E acho que quem se interessa por ler sobre cognição e antropologia e Estados Unidos não tem por que não se interessar em ler o que mais a autora desses outros posts tem a dizer, né? Não sei se é stalkerismo meu, mas sempre acho que assuntos sérios/interessantes ficam mais palpáveis e agradáveis quando a gente conhece pelo menos algo de quem está dizendo. O QUE É MEIO CREEPY mas eu não quero dizer no sentido creepy de conhecer. Masque//// Acordei agora.

    :*

  2. Branco disse:

    Admiro muito esse teu jeito. Tu é tão boa pessoa. Tu sabe que vou tá sempre aqui, pra o que for nenê. ;@@<3

  3. Pedro Moser disse:

    VOLTA PRA COGNITIVA NINGUEM QUER SABER DA TUA VIDA!!! hahahahahahahaha

    😛 não, sério. a gente já falo bastante sobre esse assunto, mas acho que tem bastante coisa por tras disso. vo marcar umas sessões com o dr paulo pra ti 😛

  4. bruna disse:

    ai, luiza. vai dormir. heauheau não, não, claro que não. acho isso super admirável, essa coisa que tu tem de resolver e ficar bem com as pessoas e não alimentar esses ódiozinhos que não levam a nada, só a tiradas mentais HAHAH mas… relaxa. tá, eu sei que aí, longe pra caralho deve ser foda. mas escreve, desestressa, sh sh sh shake it off, é tudo culpa dos imundo do espírito opaco no fim das contas. eu te amo, beijo 🙂

    (eu sei que isso não foi nada edificante, massss)

  5. Roadie disse:

    eu nao te daria um tiro, deixaria isso e pro seu Ex-namoradinho fazer, mas ja qe sou ruim de morrer, eu digo ruim mesmo…. quem sabe com um machado e um tiro de ponto 40 você me mataria, e se mesmo assim eu nao morrese pegava a Escopeta de cano serrado que tenho e te mataria, mas somente com a sua autorização, acabou-se os problemas, acabou-se suas horas de agonia e morrerá jovem e não terá mais contas á pagar… well, mi papi paga tudo pra mim, e no fim do mê vou pra bêrlim para ver o show do Fatboyslim… ahahah; a-ha, ROADIEEE CARALHO

    • bruna disse:

      cara, o quê tu quis dizer com essa bosta de comentário mal formulado? não fez sentido algum, tu foi extremamente agressivo e infeliz. tipo, te mata então de uma vez. e poupa as pessoas de ler essa merda feia, antiestética e sem sentido. e para de mandar perguntinhas imbecis pra luiza, porque ela não precisa ficar lendo essas coisas. seu merda. tiro de escopeta? 40? roadie? berlim? papi? quanta idiotice. e, indo além, tu não entendeu porra nenhuma do que tá escrito acima. discernimento? “ai, pera, PAI KD O DISIIONARIO /// N SEI O Q ELA FALARAO” “KERO VER FAT DUO NA REDENSA!1 ONE”

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