Sobre cognição, mente, sutilezas e grosserias. E ficção científica.

Nessas minhas histórias de epifanias e tal: hoje assisti uma palestra com uma mulher chamada Susan Schneider, que trabalha aqui no lado na Universidade da Pennsylvania. Ela trabalha no instituto de filosofia e no de neurociências. O nome da palestra era: “Future Brains: How Might Our Great-Great-Grandchildren Think (and Will They Still Be Human?)”. O título diz bastante coisa, e, mais do que palestra foi uma conversa entre ela, uma outra professora e quem tava assistindo. Filosofia da mente e como isso se relaciona com neurociências, psicologia e com ética é uma coisa que me interessa muito.

Na introdução da palestra dela, a outra professora mostrou esses vídeos:

A possibilidade da intersecção entre inteligência humana e inteligência artificial, de “Upload your mind” – como a Susan falava – pra outro meio que não o nosso corpo/cérebro biológico é uma coisa na qual a maioria de nós que tem um pouco de imaginação e contato com ficção científica já cogitou. Mas quanto disso realmente tá perto? Quanto disso a gente consegue realmente conceber? E é aí que eu chego no ponto inicial – das epifanias e tal: isso realmente é possível e vai ser possível – a menos que haja alguma impossibilidade intrínseca que ninguém conseguiu calcular – em algum tempo, mas quando eu (abro essa reflexão pro resto das pessoas, mas não consigo refletir por elas, então vai em primeira pessoa) consigo realmente visualizar/abstrair/conceber de tudo isso?

Quando a gente pensa em alguma coisa, o quanto dessa coisa a gente realmente representa pra nós mesmos? Não sei se dá pra entender quando eu coloco assim, mas eu me pergunto é o quanto a gente realmente transmite pros outros com linguagem e representa pra nós mesmos com nossa linguagem interna. Nosso sistema de representação interno é  eficiente quando tenta expressar o mundo? A gente realmente entende o mundo externo – e me parece evidente que a maioria das pessoas acredita que sim, e não sem razões, mas o que eu quero por em questão é se isso é ilusório ou não.

E aí me veio outra relação com a palestra: nesse modelo de mundo do qual a Susan falava, as pessoas (com recursos pra pagar por isso e todas as circunstâncias sociais imagináveis envolvidas nessa história) teriam a opção de fazer o upgrade ou não. Entre os motivos pra não fazer, estariam vírus de computador aplicados a nossa mente (que, realmente, não parece agradável) e alguns outros exemplos que, sinceramente, eu esqueci. Mas o que me interessa no momento: a simples possibilidade de a nossa personalidade – ou essência, o que faz com que eu seja eu e não outra pessoa – se perca na transição. E talvez a gente nem fosse se dar conta disso, mas aí que entra a capacidade de cognição, de representação, de apreensão do mundo da qual eu falava antes, e são essas as diferenças sutis e ao mesmo tempo grosseiras que mais me interessam.

Ah, sim. Vou contar só como curiosidade, porque fiquei feliz com isso: No fim da palestra, o meu padrasto, que foi quem me levou lá, me obrigou a voltar lá e falar com ela, porque eu tava interessada mas com uma mistura de preguiça com vergonha. Daí eu fui, disse pra ela que estudava filosofia no Brasil, que tinha interesse no trabalho dela, que tava morando aqui, blá-blá-blá. Final das contas: ela me deu um cartão de visitas e o livro dela. Assim, sem mais nem menos. Ganhei um livro. E vou começar a ler daqui a pouco. Moral da história: tenho que ouvir quando as pessoas me forçam a fazer as coisas, mesmo que seja chato ou trabalhoso na hora. Principalmente quando vem do meu padrasto, porque, mesmo que a gente odeie admitir, ele tá sempre certo.

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6 respostas para Sobre cognição, mente, sutilezas e grosserias. E ficção científica.

  1. Yasmine disse:

    Escreve super bem!

  2. Valmor disse:

    Posso pegar o livro emprestado depois? 😛

  3. Branco disse:

    Eu te falei, tu manda super bem. Continua escrevendo, amor.

  4. Pedro Moser disse:

    sim, ciencia cognitiva humilha! bacana o texto. serei um leito do teu blog agora 😛

  5. Pedro Moser disse:

    *leitor
    hehehe

  6. bruna disse:

    ficou ótimo, tu realmente escreve muito bem e eu não sei porque tu não fez isso antes. mas é, né, eu não sou muito a favor dessas histórias de upgrade na mente ou o quer que seja justamente por essa coisa de perder a “essência” (não achei palavra melhor) no meio do caminho e sei lá, igual eu sou meio anacrônica hahaha. mas que amor! o paulo tava certo! ahaha

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